terça-feira, novembro 20

Ser tia...


O ciclo da vida tem destas coisas. Perde-se um dia mas enche-se o coração no dia seguinte. Passo a explicar: o meu sobrinho de 22 meses não fala, insiste na sua teimosia que com grunhidos também vai lá e como tal nem se esforça muito. Aponta e diz monosílabos ou, no máximo, duas silabazinhas e já é um pau! Ora, ontem disse a palavra mais bonita do mundo: o meu nome. E ficou tão contente com o feito que a repetiu inúmeras vezes abrindo depois a boca num sorriso descarado de conquista! E sabem que mais: é o maior do mundo!

segunda-feira, novembro 19

Vacuum Cleaner


Agora temos uma coisa destas lá por casa...
É o domínio da aspiração!

segunda-feira

Depois de um fim-de-semana calminho, com direito a lareira e sesta de domingo à tarde, vir trabalhar tem uma parte positiva: o ar condicionado do gabinete!

quinta-feira, novembro 15

Pessoas

Calmaria. Depois da tempestade vem a calmaria, costuma dizer-se. É o que sinto. Tudo calmo. Tudo a andar. E no entanto... sempre este sentimento de insatisfação, de angústia, de desalento sobre o que se alcançou. A vida passa, e tudo passa. Mas não devia ser assim. Devia ser tudo vibrante, como um dia. A maturidade devia ajudar-nos a aceitarmo-nos e aos outros, tal como somos/são. E porque não comigo? Porque sinto sempre a angústia eterna de querer mais, de mim, mas sobretudo, dos outros? Vou dar-vos um exemplo. Na Madeira, a enterrar o pai de 4 filhos, estive apenas eu "na minha classe". Só eu o sentia como Tio, ou outros haverá que sentem o mesmo? E porque não estiveram lá? A viagem custou-me tanto a mim como aos outros. E no entanto eu estive lá. Não deixaria de estar. Não deixaria de estar. É assim que me sinto como pessoa, parte de um todo que é a sociedade. E desta faz parte alegria e dor, não tenho ilusões. Sou uma pessoa adulta, consciente dos meus direitos e deveres. Tive o direito de o conhecer, de partilhar parte do que foi. E apesar de tudo o que fez de errado, a mim nunca me fez mal, pelo contrário. Costuma dizer-se que depois de mortos todos passam a ser os maiores. Não o era. Era um homem, como os outros. Deixou-nos recordações a todos. Deixou-nos um legado. Todos deixamos. E o respeito por esse legado levou-me, mais por impulso do que pela razão, a estar lá. A chorar como os outros, a amparar os amigos que tenho nos meus primos. A vida passa. Tudo passa. Mas os gestos ficam. E as ausências também. E estas, no meu coração de carangueja ficam marcadas para sempre. Sei que foram os vivos que me levaram a ir. Mas quando lá cheguei percebi que foi ele que me levou lá. Obrigada Tio, por me ter aproximado de quem me quer bem. A vida, a nossa vida, é única, feita de momentos, de um conjunto inimaginável de momentos. E no entanto, poucos os há como este que vivi, que nos façam parar e pensar. Pensar em tudo, devolver-nos às raízes que o dia-a-dia nos leva muitas vezes a esquecer. Sou o fruto do que tantas pessoas fizeram de mim. Obrigada, Pai, Mãe, Tios, Avós, ensinaram-me a ser gente! Forte, determinada, inflexível, mas gente, que se dobra em humildade e agradece, a quem lhe faz bem. Vou continuar nos exemplos. Empatia. Empatia significa, tal como ensinava aos meus formandos de outrora, "colocarmo-nos no lugar do outro". Passo o dia a fazê-lo. Não, não sou uma santinha, e muito menos sonsa. Simplesmente, foi algo com que cresci. Não trato mal ninguém, acho, só porque esse alguém não me diz nada, só porque não nutro por essa pessoa simpatia. Acho que nas relações humanas o respeito pelo outro é basilar, e a empatia serve muitas vezes para refrearmos as nossas emoções e agirmos com educação. Não custa agradecer se nos ajudam, não custa criticar construtivamente, não custa dizer não, quando esse não é baseado no no "não porque não" mas sim no "não porque...". As pessoas não são bichos. Têm inteligência para compreender o que lhes é explicado, mas são incapazes de adivinhar o que não o é. Simples, não? Mais exemplos: Indiferença. A indifernça é o pior dos sentimentos. Não a sinto por ninguém. Gosto, não gosto, gosto mais-ou-menos, mas tenho uma opinião. A indiferença é cruz pesada que não gosto de carregar e por isso não obrigo ninguém a fazê-lo. Se gosto, aproximo-me de coração aberto. Se não gosto, aproximo-me o indispensável. Poucos são os casos. A minha mãe diz que para mim "era tudo boa gente". Lamento, saí ao meu pai. Extrovertida, open mind, aberta a tudo o que me rodeia, pretos, brancos, assim-assim, católicos, muçulmanos, judeus, assim-assim, republicanos, monárquicos, assim-assim. Por isso conservo amigos em vários quadrantes. Gosto de pensar que por onde passo na vida deixo uma pessoa que não me esquecerá, nem eu a ela. E assim é, se pensar nos locais por onde passei, desde a escola preparatória. Fará sentido de outra forma? Faz parte do sentir ilhéu a abertura a tudo o que vem de fora, a afectividade entre as pessoas, de meios pequenos, e eu acho que herdei isso, apesar de só lá ir em Agosto. Não sou cosmopolita, nunca fui. Não gosto de discotecas, nunca gostei, não sou apreciadora de gadgets, não sou apreciadora de espectáculos metropolitanos. Detesto a vida de cidade, ainda que Lisboa seja a minha cidade. Sei que um dia sairei deste lugar, e encontrar-me-ei comigo. Seja onde for, desde que todos os dias haja espaço para um jantar com os meus, ou um café, ou uma ida à casa da vizinha, ou qualquer outra coisa. Sinto falta absoluta de saber que todos têm tempo uns para os outros. Sinto falta de um tinto à lareira, acompanhada de um álbum de fotografias (em papel! à antiga), e de constantes ah! olha como estavas linda aqui com este chapéu! e como engordaste! Somos o que fomos. Somos o que todos nos ensinaram a ser. E eu sou o que sou. Pena tenho de não poder ser qualquer outra coisa, como qualquer outra. Somos o que fomos. A nossa história constrói-nos e nela não entram só condições genéticas, ou"ambientais", entram em 90% as pessoas.

terça-feira, novembro 13

Família

Coisa estranha esta da família. Em crianças ensinam-nos que X pessoa é o tio, e Y é primo e nós aceitamo-los como a nossa família. O engraçado está em que passamos, por uma qualquer força estranha, a GOSTAR dessa pessoa. Parece uma coisa qualquer que nos é imposta, mas não é. Nós assumimos um sentimento especial pelos que são do nosso sangue, pelos que têm o nosso apelido, pelos que têm parte das nossas feições. Depois, esse sentimento vai sendo consolidando pela convivência. Simples. Tudo isto seria verdadeiro se eu falasse de pessoas como os nossos irmãos, ou os nossos pais, ou uma avó que vive connosco. Mas no meu caso a minha família paterna está à distância de hora e meia de voo, e passo anos sem os ver, ainda que na infância estivesse com eles todos os Verões. E quando nos dizem que não voltamos a estar com o Tio Catau tudo vem à nossa cabeça. Parece-nos inevitavelmente uma alteração no status quo que pensávamos eterno! Afinal, os 5 manos, dos quais nasceram 10 primos, seriam eternos. Eterna seria a teia que eles souberam construir durante o nosso crescimento e que nos amparava, dando-nos uma origem, um berço. Mas hoje, volvidos tantos anos desde que deixei de frequentar festas familiares (por falta de disponibilidade, tal como outros dos primos) sinto a perda do meu Tio como o fim de toda uma fase de vida. Não vos sei explicar. Não o via há anos e no entanto sinto-me tão próxima dele tal como quando ele me afagava a cabeça quando era míuda. Engraçado.